10 de maio de 2016

O BOI DO MARANHÃO

Que tal apresentar um pouco da cultura maranhense para seus ou suas estudantes? Fizemos isso  e descobrimos como o estado é riquíssimo culturamente e recheado de descobertas para os pequenos. As crianças conheceram o músico Zeca Baleiro (prometo postagem em breve) e foi delicioso falar do Boi... Iniciamos conhecendo a história do Bumba Meu Boi. O maravilhoso livro escrito por Stela Barbiere e ilustrado por Fernando Vilela deu vida ao imaginar das crianças e principalmente ao nosso boi que foi construído após leitura do livro e uma imersão de registros fotográficos sobre o festejo do Boi do Maranhão.

Então começamos a construir nosso Bumba-meu-boi escolhendo a cor de fundo que daria vida ao boi e depois partimos para a escolha de vários retalhos para enfeitá-lo. Os retalhos tinham texturas diferentes, alguns esticavam outros eram transparentes e outros pesados e grossos. Exploramos todas as propriedades do tecido e findamos o corpo do nosso boi dando um toque com várias fitas coloridas de cetim que daria o balanço que é pertencente ao boi.




Outro momento que vivenciamos com a história do boi foi ela contata com bonecos, o reviver no dia seguinte a história já apresentada para as crianças com personagens que saltavam o livro permitiu uma interação com a história e pudessem reconta-la. E foi assim que os personagens brincaram com as crianças...

Depois disso decidimos que cada um poderia ter sua máscara do boi e então brincamos de agrupar, a matemática invadiu nossa atividade para nossos bois ganharem cor. A partir da chamadinha (a criança identificava seu nome no meio dos outros) cada criança sorteava uma carta que tinha uma cor e os grupos iam se formando de acordo com as cores sorteadas. Após as máscaras do boi secar outro desafio matemático foi colocado: as fitas na cabeça do boi de um lado deveriam ter a mesma sequência de cor do outro lado. Depois um pouco de psicomotricidade, pois enfeitaram as máscaras com lantejoulas coloridas e assim lindas máscaras surgiram  e brincadeiras. Para encrementar de cores e rimas o brincar, fizemos a contação de história do livro Boi Multicor de Jorge Conceição (um mestre que vale a pena buscar mais sobre ele).



  





Também apreciamos diversos vídeos da festa do Boi no Maranhão e em seguida construímos um pequeno boi tão colorido como o boi maranhense. Assim trabalhamos percepção visual e esquema corporal porque os alunos tiveram que montar parte por parte do corpo do boi. Para enfeitar nosso boi como manda o figurino muitas lantejoulas para deixar seu boi com o couro bem brilhante.




Assim o maranhão foi criando corpo no nosso universo e o boi mostrando sua energia vital que permanece viva graças a alegria de um povo em contar e recontar sua história através de muita festa. Então brincamos e dançamos muito. Brincamos de pegar com olhos vendados e quem era pego se tornava o boi, depois com muita música dançamos. Outra coisa que seduziu nossos pequenos foi gravá-los dançando e depois mostrar para eles. As crianças gostam de se ver no vídeo. Já fiz isso algumas vezes e foi um sucesso.


  
  

   

Outro aspecto que não posso ignorar são os desenhos de bois que surgiram após explorarmos essa temática. Muito significativo, visto que eles tinham entre 3-4 anos. Todos os detalhes trabalhados foram registrado nos desenhos. 



Livro: Bumba-Meu-Boi
Escritora: Stela Barbieri
Ilustração: Fernando Vilela
Editora: Girafinha

Livro: Bumba-Meu-Boi
Escritor: Jorge Conceição
Ilustrador: Mário Sérgio Moura
Editora: Vento Leste

19 de março de 2016

UM PÉ DE VENTO, PINTAR AO VENTO...

Livro: Um pé de vento
Escritor e Ilustrador: André Neves
Editora: Projeto

Sabe aquele livro que traduz o coração? Um pé de vento é um desses, que além de ser lindamente ilustrado é escrito com uma sensibilidade que faz com que a gente se apaixone pelo livro da capa até a última página.
O livro tem textura, tem sabor e tem envolvimento. Belo pela ilustração e pela história, o que não poderia ser diferente quando falamos de André Neves, quem vira e mexe carrego para sala de aula como já postei aqui no blog (atividade feita com outro livro dele que amo: Obax).

Um pé de vento é tão belo que levei o livro para ler despretensiosamente para meus alunos, sem nenhum projeto grandioso, só para uma rápida atividade onde o objetivo era proporcionar às crianças a sensação de pintar ao vento. Foi surpreendente como o livro tocou o coração dos pequenos.

O livro fala de como um toca o outro através de um diálogo sensível que ocorre entre uma menina e uma árvore. A relação entre esses dois seres vivos nos mostra o quanto há de sabedoria nas árvores e que temos muita a aprender com a natureza, basta nos permitirmos uma confabulação sensível com ela.

Para as crianças da minha turma, que tem entre 3 e 4 anos, perguntei-lhes sobre o vento, sentimos o vento produzido pelo ventilador, sopramos o rosto um do outro. Percebemos que o vento é sentido e não é possível vê-lo e nem mesmo segurá-lo,  mas o vento sim tem poderes de nos tocar e de se fazer existente. 

Para as crianças pintarem ao vento fizemos um varal com folhas de papel ofício penduradas como se fossem roupas. Ligamos os ventiladores e deixamos tintas de diferentes cores e pincéis para que as crianças pintassem livremente ao vento. Foi muito divertido e inteteressante ver as estratégias que elas utilizavam para pintar, uma vez que recomendamos para que tentassem não segurar o papel. 






10 de fevereiro de 2016

MERCEDES BAPTISTA: CORPO, RESISTÊNCIA E ARTE NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Nesse ano que findou trouxe para sala de aula algumas personalidades que causaram polêmica com questionamentos do tipo "Como você vai conseguir apresentar uma pessoa com a história tão dura?"... Bem, sou professora de Educação Infantil, portanto tenho mantido mente, corpo e coração aberto e assim, a forma de como trabalhar Mercedes Baptista foi dançando em minha cabeça e as crianças a acolheram tão bem que se tornou quase que uma coreografia o nosso projeto.



Como sempre começo contextualizando, contei aos alunos a história de Mercedes Baptista. Como não possuímos livros infantis sobre a bailarina imprimi várias imagens e a medida que as imagens iam aparecendo a história ia sendo contada, o que deu origem a um mural sobre a história da Mercedes que ficou na sala durante todo o projeto (e confesso que um pouco depois).


Em seguida trabalhamos um pouco de matemática inspirados na história, foi apresentada várias silhuetas de bailarinas para que as crianças transformassem em Mercedes Baptista, em seguida cortei vestidos com tecido para que pudessem enfeitá-la, porém eles tinham que achar o que cabia corretamente no corpo da bailarina que pintaram, como se fosse sombra... foi difícil, mas divertido com um ajudando o outro. Depois as bailarinas viraram um numeródromo, no qual quantificamos até quatro.

 

 

No dia seguinte assistimos um vídeo da história de Mercedes Baptista e descobrimos que além de ser a primeira bailarina negra do Teatro Municipal ainda foi uma pesquisadora da dança afro-brasileira. Com isso, a curiosidade que era para o dia seguinte mudou o planejamento (afinal planejamento é norteador não castrador) e por pedido deles fomos investigar a dança afro e nos apaixonamos.


Percebemos como as danças utilizavam as mãos e os pés de forma singular, essas foram observações constantes das crianças... e então resolvemos registrar o visto com as mãos e os pés dançando. Foi uma experiência maravilhosa e muito difícil. Com as mãos esticadas e um giz de cera nas mãos dançamos, a ideia era os dois braços fazerem o mesmo movimento e cada criança escolheu uma cor diferente, pois depois fizemos uma legenda (olha a matemática aí novamente) para identificar os e as artistas. A legenda foi feita a partir da identificação da cor e da letra do nome, utilizamos lixa para sentirmos uma textura diferente. Sempre gosto de oportunizar diferentes materiais para as crianças ampliarem seus repertórios artísticos e criativos.
  

 

 

Com os pés foi mais difícil ainda, após assistirmos mais um vídeo de dança afro pedi que percebessem os pés, após assistirmos pedi que tentássemos reproduzir o passo que eles mais gostaram no papel, para essa atividade os pés das crianças foram cobertos com plástico bolha. E assim pintamos e dançamos com os pés.
 
  

Outra atividade realizada foi a construção da fachada do Teatro Municipal, após muitas observações e apreciações de imagens e vídeos do teatro resolvemos fazer um para que a Mercedes Baptista pudesse estar nele. Usamos rolinhos de papel higiênico e papelão, muita tinta e papel picado azul. Assim ficou pronto nosso Teatro Municipal e brincamos muito antes dele ir para o mural.
   

Outros recursos utilizados para engrandecer o nosso projeto foi o livro infantil de outra bailairina negra a Josephine Baker (já indicado aqui) e o livro da escritora Sônia Rosa Maracatu, também já indicado aqui. Usamos vídeos sobre a artista e música afro para que as crianças dançassem e realizassem as atividades. Deixarei aqui dois vídeos das músicas utilizadas para quem quiser pesquisar mais e o caminho para baixar o livro de Paulo Melgaço: Mercedes Baptista a Criação da Identidade Negra na Dança.






  

25 de janeiro de 2016

ODE A UMA ESTRELA, UM POUCO DE NERUDA PARA CRIANÇA


 “Ao subir à noite
no terraço
de um aranha-céu altíssimo e aflitivo
pude tocar a abóbada noturna
e em um ato de amor extraordinário
apoderei-me de uma estrela celeste”

Assim começa essa história poesia ou poesia história, como preferir, escrita por Pablo Neruda. Inicia-se com um ato de amor impensável (ou não) de um homem que utopicamente crê que pode ter uma estrela. 
Ode a uma estrela é uma poesia de 1957 que vem encantar as crianças de hoje, os adultos de ontem e de antes de ontem. Ou seja, um livro para os pequenos, pais, mães, tios, tias, avós, avôs e quem mais quiser ler. O poema foi retirado do Terceiro Livro das Odes direto para esse maravilhoso livro infantil que apresenta esse grandioso escritor para o universo das crianças e que, sem pedir licença, deixa todos apaixonados. 
As ilustrações da espanhola Elena Odriozola dá mais vida e nos aproxima de forma singela da intensa fantasia que é alguém carregar em seu bolso uma estrela... ela dá luz ao poema que vem falar um pouco de amor, posse e liberdade, tudo junto e misturado.
Essa literatura infantil é um convite para adultos e crianças estarem juntos, uma boa oportunidade para correria do dia. É um livro para ser ler a qualquer hora, mas de noite deixa a gente com vontade de pegar nas estrelas, nem que seja só por um instante porque para amar não é preciso possuir e sim contemplar, como nos sugere o livro.

Livro: Ode a uma estrela
Escritor: Pablo Neruda
Ilustradora: Elena Odriozola
Tradução: Carlito Azevedo
Editora: Cosacnaiy