23 de abril de 2018

Pixinguinha, o ser humano perfeito!

Cena do filme Alma Carioca. 
Caricatura feita por William Côgo

Ser humano perfeito, assim que Vinícius de Moraes definiu Pixinguinha. Por essa perfeição percebida por todos e todas, imortalizada em foram de frase por Vinícius de Moraes, que o dia do nascimento de Pixinguinha não pode deixar de ser comemorado. Devido a sua importância para música brasileira, principalmente para o chorinho, nesse mesmo dia comemora-se o Dia Nacional do Choro: o dia 23 de abril. O Dia Nacional do Choro já é comemorado desde 2001 por iniciativa do músico Hamilton de Holanda. Então, vamos viver o dia 23 com muito choro e muito Pixinguinha!

Filme Alma Carioca: Um Choro de Menino

Pixinguinha faz parte da nossa história, portanto é importante que educadores percebam sua importância para além das aulas de música. Temos várias possibilidades de trabalhar esse importante músico. Podemos trazer para o debate nos espaços educativos os contextos históricos de suas composições, as histórias dos bairros que foram cenários para suas andanças, o Catumbi fez parte de sua infância. Para os maiores podemos explorar as pesquisas pela net, ler o livro de André Diniz e Juliana Lins que fala sobre a vida desse músico, montar uma linha do tempo musical do Pixinguinha e compreender os contextos culturais e políticos em que o músico estava inserido. Porque os contextos forma muitos e diversos, foi testemunha viva na criação do samba Pelo Telefone na casa de tia Ciata e no debate sobre a autoria Pixinguinha compôs seu grande sucesso Já te digo com China, seu irmão. Outra passagem interessante de sua vida são os diálogos com Mário de Andrade para seu livro Macunaíma, no qual é referenciado como "o negrão de ogum" isso só para citar algumas passagem dos seus 75 anos de vida.
Resultado de imagem para "Pixinguinha para crianças - uma lição de Brasil"
Coleção Mestres da Música Pixinguinha
Autor: André Diniz e Julinana Lins
Editora: Moderna

Uma boa pedida para os pequenos é o cd "Pixinguinha para crianças - uma lição de Brasil" da Multiletra. Agora, caso não haja possibilidades para de trabalhar com esses recursos vire uma contadora de história e apresente a vida desse grande homem para as crianças. Sempre faço isso quando não encontro livros que conte a história da personalidade que quero apresentar. Estude e pesquise sobre a vida do Pixinguinha, reúna algumas fotos e monte a história... as crianças amam. Vale construir livros ou cartazes. Um pontapé inicial para saber mais sobre a vida dele é nessa página: Pixinguinha - O Mestre do Catumbi, é um bom resumo para pesquisas iniciais, é só clicar no link (nesse e em todos os outros ao longo do texto).

Pixinguinha para Crianças - Uma Lição de Brasil
Gravadora: Muliletra Editora

Outra possibilidade e que sempre faz sucesso em minhas aulas é contar as histórias das músicas e com Pixinguinha isso abre um universo de histórias para que as crianças se divirtam, nas composições de Pixinguinha temos as músicas instrumentais e as com letras... ou seja, cabe um monte de histórias. Basta pesquisar o que inspirou o músico e compartilhar com as crianças nesse sopro musical de vida e vivências que Pixinguinha nos presenteou e se divertir. Porque Pixinguinha se divertia fazendo música e aprender tem e deve ser divertido!

Grupo: BeBossa Kids
Música: Samba na Areia 
De: Pixinguinha e C Barbosa

Findo com um pouquinho da minha filhota cantando sua música preferida. Apresentar Pixinguinha para ela e para todas as crianças que trabalhei e trabalho ocorreu após a dica de um músico e professor que admiro (arrisco a dizer que é um dos melhores professores de música que cruzei em minha vida, e olhe que já encontrei com vários professores maravilhosos). Thiago Pires me dizia que Pixinguinha era fácil e gostoso para criança... eu achava difícil, mas ainda bem que acreditei no Thiago! Minha filha e as crianças da Educação Infantil me provaram ao contrário. Divirtam-se e não esqueçam de seguir o blog para ficar por dentro das novidades e resenhas de livros infanto-juvenis. Até mais! 

18 de abril de 2018

LER, LER e LER!

Porque ler é e deve ser divertido.
Adoro bisbilhotar leituras!!! Vale tudo: bula de remédio, propaganda, poesia, notas de rodapé e etc e tal. Amo os mundos que as palavras me conduzem!!! 
Pois bem, nas minhas lidas e idas, aqui e acolá, re-encontrei esse lindo texto de Rubens Alves. Mais que lindo, ele é instigante... depois da leitura você (educadores e responsáveis por crianças) só fica a se questionar... Principalmente no mês de abril que é quando se comemora O Dia do Livro Infantil, dia 2 de abril o Dia Internacional e 18 de abril o Dia Nacional. Mas o principal questionamento que lanço, previamente a essa leitura é:
"Quanto a nossas escolas e salas de aula proporcionam momentos do prazer em ler para nossas crianças e jovens?"
O ler para além da obrigação de fazer provas, o ler porque senti desejo em fazer...
Crianças que eu dava aula lendo espontaneamente na escola.
Para refletirmos em possíveis respostas trago o texto que Rubens Alves escreveu em um jornal no ano de 2007. Delicie-se com as palavras desse homem que nos deixou milhares de iguarias entre elas que “Tem que aprender a arte de fazer perguntas, isso que se chama inteligência”. Então nos perguntemos a todo momento para instigarmos perguntas.
A alegria de compartilhar leituras.
Livros para serem furtados... 
O roubo é um estímulo poderoso. Santo Agostinho roubava peras do vizinho só pelo prazer de roubar.
MEU PENSAMENTO vagabundeava enquanto eu via as figuras de um livro. Foi então que me apareceu uma ideia que nunca tinha visto. Pedagógica. Ela me veio quando me lembrei de uma estória que me contaram.
O agente do governo, desses encarregados de ir pelos campos visitando pequenos sitiantes para dizer-lhes das últimas maravilhas da ciência para assim melhorar suas colheitas e animais, estava desanimado. Visitava sitiantes, conversava, bebia café aguado doce, contava sobre os porcos melhores que eles poderiam criar, ninguém discordava, mas ninguém fazia nada. Continuavam a cria os porquinhos caruncho, mirrados. Desanimado, ele contou sua tristeza para um velho sábio. E foi isso que ele lhe disse: “O senhor está usando a pedagogia errada. O povo daqui sabe que ninguém faz nada de graça. São delicados. Não contestam. O senhor fala, eles prestam atenção, mas ficam pensando: ‘O que é que o doutor quer tirar da gente? O meu conselho é: pare de visitar e aconselhar. É inútil. Compre uma chacrinha. Cerque com arame farpado, seis fios. E escreva: ‘Entrada proibida’. Aí eles vão perguntar: ‘O que é que o doutor está escondendo da gente? O que é que a gente pode roubar dele?’Aí, de noite, eles vão assuntar. Vão ver seus porcos grandes e gordos...Agora são eles que vão visitar o senhor. Conversa vai, conversa vem, café com rosquinha, no final eles vão dizer: ‘Bonita a porcaiada sua. Sadia, grande, gorda...’Então, aos pouquinhos, como quem não quer nada, o senhor vai educando eles...’ Pensei que a filosofia do sábio matuto pode ser aplicada na educação. O roubo é um estímulo poderoso. Santo agostinho roubava peras do vizinho só pelo prazer de roubar. Eu mesmo roubei pitangas e, para realizar meu furto, inventei uma maquineta de roubar pitangas. Meu desejo de roubar me fez pensar. Todo pai, mãe e professora fica atormentando as crianças e adolescentes para ler. Comportam-se como o agente do governo tentando ensinar os caipiras. Mas eles não querem ler. Ler é chato. Livro que se deseja ler são os livros proibidos: precisam ser roubados. Era assim quando eu era pequeno. A gente roubava o livro proibido e ia atrás das passagens mais escabrosas. Conselho para o pai: compre um livro engraçado e se ponha a ler na presença do filho, durante o “Jornal Nacional”. Quando chegar uma passagem engraçada ria, ria muito alto. O menino vai perguntar: “Pai, por que é que você está rindo?” “É esse livro aqui, meu filho”. “O que é tão engraçado?” “Agora não posso explicar. Não posso interromper a leitura...” O menino fica intrigado. Seu pai está tendo um prazer que ele não tem. Aí o pai leva o livro para o quarto e o deixa sobre o criado mudo. O menino vai lá assuntar... Se um livro não provocar o desejo de roubo não merece ser lido.
(Folha de São Paulo,terça-feira, 9 de janeiro de 2007 - COTIDIANO Rubem Alves  )
Em todo lugar cabe histórias e livros.
Esse é um texto que depois de ler você só fica a refletir, como minha filha diz, "fugiu todas as palavras da minha boca". Em meio a tantas reflexões, nesse mês em que as escolas mandam para casa os meninos vestido de Visconde de Sabugosa e as meninas de Emília, temos que nos questionar o porquê e quando as crianças perdem interesses pela história para assim pensarmos em estratégia de promoção de leitura, para que as crianças desejem os livros e o que eles podem oferecer.




Ação realizada em algumas cidade do extremo sul da Bahia
Caixa de Leitura na porta de casa.

Eu particularmente sempre tive salas de aula repleta de livros, sempre levei as crianças pequenas e as maiores para visitarem a biblioteca, mas principalmente sempre compartilhei minhas emoções em ler com todo mundo que encontro. Acho que talvez devamos começar por aí... compartilhar a alegria de ler, para isso temos que ler, porque só podemos despertar desejos se os tivermos. 

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24 de julho de 2017

Tanto Mar, a grandiosidade do olhar infantil.

Livro: Tanto Mar
Escritora: Tatiana Salem Levy
Ilustrador: Andrés Sandoval
Editora: Galerinha Record

Este livro se tornou um integrante da biblioteca confabulante pelo ilustrador. Não conhecia a escritora, estava na busca de livros ilustrados por Andrés Sandoval, que se tornou um dos queridinhos da pequena Tarsila e consequentemente meu também. Comprei o livro única e exclusivamente por ele. Joguei no escuro quanto a história e ganhei na loteria. Encontrei um livro maravilhoso!!! Tanto na sensível e poética história quanto nas belíssimas imagens. De quebra sai da caverna e descobri uma escritora brasileira premiadíssima. Sim, preso muito as escritoras brasileiras e toda vez que conheço uma surpreendente exalto.


TatianaSalem Levy é escritora de adultos e de crianças. Seus primeiros livros eram para gente grande e foi lançado em 2008. Só em 2012 escreveu o primeiro livro infantil e já foi premiada na FNLIJ (O Curupira Pirapora). Tanto Mar veio no ano seguinte e foi inspirado em uma ilha de verdade.


O livro fala de uma ilha que se chamava Ilha, distante de tudo... tinha ali uma menina e um universo grandioso. Seu quarto e a praia. Da praia retirava tudo que o mar trazia, no quarto guardava tudo que do mar era. A pequenitude do quarto se alastrou pela ilha e com as mudanças sociais e tecnológica um outro universo a atrai. Tudo por causa da televisão!


Andrés Sandoval, com toda sua sensibilidade, nos mostra essa grandiosidade a cada página. Podemos perceber a mudança de olhar da menina ao descobri um outro universo. Digo o olhar da menina porque o ilustrador nos apresenta o livro o tempo todo no ângulo da menina. O que ela vê nós vemos! Nós somos intimados a entrar na história pelos sentidos da menina. Até quando a TV chega... dá uma olhadinha na imagem acima. 


Andrés Sandoval tem sido o ilustrador que vem encantando todos aqui em casa. Esse livro ele usou algumas mágicas para fazer os desenhos. Além de recorte e colagem e spray, Andrés Sandoval usou lápis dermatográfico. Um lápis que inicialmente era usado em obras, porque marca superfícies como vidro, cerâmica, plástico e a marcação pode ser removida com facilidade. O lápis ganhou outras áreas como médica e artística. Estou aqui louca para estrear uma atividade com esse lápis que é uma outra alternativa de riscador para experimentar com as crianças. 


O livro é um universo para explorar com as crianças. Tanto na história linda e sensível de uma menina corajosa e desbravadora quanto com as ricas ilustrações. Que tal oferecer uma máquina fotográfica para a criança e pedir para ela registra o olhar do mundo dela? Seja seu quarto, seja seu quintal... o mundo da criança é grande e transborda criatividade, mesmo que um adulto ache pequeno ele é grandioso... Finalizo com uma palhinha do livro ao som da música maravilhosa de Thiago Pires (somos fã também). 
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Inté , espero que breve!!!

29 de maio de 2017

MULHERES NA CIÊNCIA.

  Livro: As Cientistas, 50 mulheres que mudaram o mundo.
Escritora e Ilustradora: Rachel Ignotovsky
Editora: Blucher

Na escola nunca ouvi falar de mulheres cientistas. Confesso que comecei a dar aula muito cedo e por mais que fosse progressista em sala de aula não tinha um olhar tão crítico quanto ao apagamento das mulheres na história. Nos meus primeiros anos como professora não apresentei as mulheres na física, biologia, música, geografia, política... com o tempo e estudos fui me sensibilizando (ainda bem que em pouco tempo rsrs) para a importância de buscar representações femininas, principalmente nos lugares que tentaram apagá-las, nos lugares de protagonismo. Olhe que encontrei mulher, einh!!! Então, quando ia falar da história da independência do Brasil, não tinha como esquecer 2 de julho e suas fortes mulheres: Maria Felipa, Joana Angélica e Maria Quitéria. Quando falava na luta contra a escravidão brasileira era necessário apresentar Dandara. Isso no Ensino Fundamental. Na Educação Infantil Jovelina Pérola Negra, Maria Thereza, Frida KahloMercedes Baptista, Zuzu Angel... e um punhado de outras mulheres foram apresentadas para as crianças. Existe uma lista imensa de mulheres impressionantes, desde que tenhamos interesse em pesquisar. Porque tentaram esconder e não conseguem, porque a força dessas mulheres do livro e outras todas é muito maior. (Clique em cima do nome para saber quem são as mulheres incríveis que cito)


Acompanhando essa sede em buscar nossas ancestralidades femininas, muitas literaturas infantis vem surgindo. Livros que falam de mulheres reais que mudaram o mundo, para meninas e meninos lerem. Para a menina ver e acreditar que ela pode estar em qualquer lugar. Para o menino respeitar e aceitar que menina pode fazer o que quiser em qualquer lugar.


As Cientistas, 50 mulheres que mudaram o mundo é um livro assim, que mostra grandes descobertas feitas por mulheres. O livro é lindo! Cada detalhe dele impressiona! Desde a capa até a última página. Além das 50 mini biografias encontramos um Glossário com palavras importantes e que surgem em alguns momentos do livro. Temos também as fontes de pesquisa da autora que nos dá dicas de filmes e sites interessantes. Um índice remissivo que podemos achar termos e as mulheres incríveis mais fácil. Estatística que mostra como somos poucas na área e uma linha do tempo com alguns marcos na história.



As 50 mulheres apresentadas passam pela zoologia, física, matemática, astronomia, entre outras ciências exatas. Até pela ciência e arte como Maria Sibylla Merian que foi entomologista e ilustradora científica. Foi a primeira pessoa a estudar insetos e registrar em desenhos seus diferentes estágios. Bingo, em 1676 publicou um livro sobre a metamorfose recheado de ilustrações e anotações científicas. Foi essa moça que descobriu que a lagarta vira borboleta. Tema que sempre perpassa as salas de aula, da Educação Infantil até o Ensino Médio, e arrisco dizer que nunca se fala dela.



E vamos encontrando outras mulheres, entre conhecidas como Marie Curie e outras que nunca tinha ouvido falar até então como Mae Jemison que é médica, astronauta e educadora.


A autora e ilustradora Rachel Ignotofsky, estadunidense, fez design gráfico e adora dedicar seus dias ao desenho. Esse foi seu primeiro livro, também primeiro a ser publicado no Brasil. Hoje ela já tem mais dois livros que ainda não chegaram em nossas terras: I Love Science: A Journal For Self-discorey and Big Ideas e Women in Sports: 50 Fearless Athletes Who Played To Win. Já na torcida para chegar, principalmente pela forma didática que a artista tem em suas obras, “acredita que a ilustração é um recurso poderoso para tornar a aprendizagem empolgante”. Bom para professorxs e reponsáveis por crianças.



Ah! Vale ressaltar outros detalhes sobre o livro. Primeiro é que ele é que a editora Blucher não tem um catálogo de livro infantil. Procurei e só encontrei esse por lá. O que torna o a literatura um livro infantil para crianças e adultos. Amo isso!!! Outra coisa que não poderia deixar de falar é que no final há uma lista das mulheres que participaram do livro aqui no Brasil: divulgadoras, diagramadoras, tradutoras, coordenadoras, revisoras... Fazendo valer o protagonismo feminino! O livro, nos mostra do início ao fim, a força das mulheres e o quanto podemos transformar. O livro vai encorajar cada pequena leitora que sonha ser cientista. 



Uma crítica ao livro... Sim, infelizmente. Entre todas as mulheres não há nenhuma latino americana. Poderia ficar aqui falando um monte sobre elas, mas a postagem já está enorme. Então deixo aqui algumas mulheres brasileiras importantes nas ciências exatas.


Foto: Divulgação L'oreal
 Thaísa Bergmann, astrônoma, foi premiada em 2015 pelos seus estudos para compreender de como os buracos negros se formam e evoluem.

Foto: http://radios.ebc.com.br/revista-brasil/edicao/2017-03/cientista-brasileira-cria-sensor-de-cancer 
Priscila Kosaka, química, criou teste que detecta vírus do HVI em tempo recorde.

Nise da Silveira, médica psiquiátrica, revolucionou o tratamento da loucura. 

Temos muitas outras que você pode pesquisar... aqui só estão algumas, aquiaqui também... Vamos conhecer e divulgar mais e mais. 

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19 de abril de 2017

Literatura Indígena - Thiago Hakiy

O Dia do Índio chegou e com ele muitas inquietações que me acompanham na labuta de professora e hoje como mãe de uma criança na Educação Infantil. É que só hoje, e as vezes sempre, as crianças irão falar de índio. É nesse dia também que parece carnaval e as crianças saem fantasiadas de índio. Dizem que é homenagem, mas como uma companheira de luta educacional diz e trabalhou com seu alunos cultura Indígena não é fantasia. (Aperte no link e veja o lindo trabalho).


Pensando nisso e com muito cuidado, porque não sou uma estudiosa do tema, vou tentar compartilhar com vocês alguns livros para falar sobre cultura indígena o ano inteiro. Para começar, uma coisa que aprendi e que vou compartilhar com vocês é que não existe índio (no singular). Existem diferentes povos indígenas. Então não vamos generalizar achando que todos são iguais. Não são!!! Quando for falar sobre indígena procure saber a que etnia pertence e conhecer um pouco da sua organização e cultura. Para não fazer o mais do mesmo. Para não consolidar esteriótipos nas crianças e principalmente para desconstruir os que nos foram ensinados.


Vou compartilhar literaturas indígenas. Livros infantis escritos por indígenas. E vou usar o termo literatura indígena sim. Porque, como Daniel Munduruku nos diz em alguns de seus textos, é literatura nova sim e produzida por indígena.


Agora, falaremos de Thiago Hakiy descendente do povo Sateré-Mawé que traz um pouco da sua ancestralidade para os livros que compartilha conosco. Foi ganhador do concurso Tamoios em 2012. O povo Satere-Mawé vive na Floresta Amazônica. Foram os Sateré-Mawé que desenvolveram a cultura do guaraná, tornando-o tão popular em todo país.

Livro: Guayanê Derrota a Cobra Grande
Autor: Tiago Hakiy 
Ilustradora: Maurício Negro
Editora: Autêntica

Esse livro premiado no 9º Concurso Tamoios de Textos de Escritores Indígenas. Uma história de um bravo guerreiro mawé, uma cobra grande e um grande amor. Tudo isso junto resultou em uma linda história regada de elementos que nos fazem conhecer um pouco da cultura dos povos sateré-mawés. Guaynê é apaixonado por Tainá. Uma moça alegre, encantadora e querida por todos. Um dia, na beira do rio, cobra grande a ataca. Enquanto todos choram Guaynê corre com sua faca afiada, seu arco e suas flechas. Numa grande aventura, digna de um grande herói, ele salva Tainá. É divinamente maravilhoso ver as crianças vibrarem com um herói diferente do cotidiano deles.


Com lindas ilustrações e uma narrativa envolvente o livro vai mostrando um pouco da cultura desse povo. Por exemplo, vemos no casamento uma festa linda com muito peixe, caça, alegria e tarubá. Uma grande festa que dura dias... Ah!!! Tarubá tem sua tradução lá no fim do livro.

Livro: Awyató-Pót, histórias indígenas para crianças
Autor: Tiago Hakiy 
Ilustradora: Maurício Negro
Editora: Paulinas

Outro livro do autor é Awayató-Pot histórias indígenas para crianças que inicia com uma poesia que fala que exalta a luta pela preservação da cultura indígena.


A história de 32 páginas é dividida em capítulos que contam a trajetória de Awayató-Pót. No primeiro capítulo vemos o nascimento do menino e sua chegada a aldeia. Filho do Gavião Real e de Móy, mulher que se perdeu da aldeia e virou cobra grande, chega a aldeia e o painy o reconhece como mawé. O menino cresce se destacando em todas as atividades que se propõe realizar e amado por todos.


Nos capítulos que se seguem Awayató-Pót vai consolidando sua bravura ao conseguir a noite para seu povo, ao dialogar com cobrar, ao se casar e até ao ter uma filha cunhãporanga. Recheada de atos heroicos e momentos de emoção o livro vai nos apresentando a humanidade no herói. Um herói como qualquer um, que ora faz coisas legais ora não.


Outra coisa maravilhosa de todos livros que tenho do Tiago Hakiy é são os glossários no fim do livro. Maravilhoso para quem, como eu, não conhece o significado de cunhãporanga e painy.
  


Dentro da estante de livros Confabulantes tem mais um do Tiago Hakiy, por ora o último. O livro Noite e Dia na Aldeia é ótimo, principalmente para a educação infantil e os primeiros anos do fundamental.  Com ilustrações alegres e coloridas, frases curtas e letras maiúsculas. Não que os outros não sejam, o primeiro já usei com o maternal e o segundo estou lendo para minha filha. 

Livro: Noite e Dia na Aldeia

Autor: Tiago Hakiy 
Ilustradora: Bruno Nunes
Editora: Positivo

Nessa obra o autor vai apresentando o cotidiano de seu povo durante o dia e a noite. A noite é recheada de seres da floresta que festejam. Por sua vez, na aldeia, os mawé também festejam sob a luz da Lua.


Quando o dia chega, traz o Sol com sua claridade espalhando alegria a todos que acordam.


A rotina do dia é bem agitada, cheia de coisas para fazer que o livro vai nos contando recheados de palavras que se explicam ao fim do livro. Tarubá, kunhã, bacurá... e muitas outras palavras para conhecermos um pouco da língua mawé. 


O livros infantis de literatura indígena torna-se essencial nas escolas e a lei 11.645/08 veio para confirmar isso. Como Tiago Hakiy nos diz a literatura indígena leva a cultura dos diferentes povos a muitos lugares. Trazendo o (re)conhecimento de formas diferentes de ver o mundo.


10 de abril de 2017

Grandes Olhares: um projeto inspirado no fotógrafo baiano Alvaro Villela


Essa atividade já estou para compartilhar com vocês faz um tempinho, mas a falta de tempo para organizar a postagem não permitia. Foi um trabalho muito interessante, desenvolvido em conjunto com a professora que dividia turma comigo e as agentes da turma que são explosões de criatividade. 


Vamos ao projeto!!! No início do ano trabalhamos identidade com as crianças do maternal e tínhamos que fazer isso tudo associado ao tema do ano que era sobre o Nordeste. Então não tivemos dúvidas de falarmos de identidade a partir do olhar de um grande artista baiano Alvaro Villela.



Alvaro Villela é peculiar em fotografar sua terra, Salvador. O artista retrata como ninguém o cotidiano, as pessoas e as inquietudes baianas. Foi pela magia que há no modo de retratar seu território que resolvemos iniciar o ano com sua arte. Foi mágico porque as crianças mergulharam em um universo que inicialmente era banal para elas: a fotografia. Muitas já faziam uso de celular dos responsáveis e sabiam fotografar pelo celular. O que elas não sabiam é que fotografia é arte e que tem história. E esse foi o desafio que tivemos, tirar a fotografia do banal e mostrar sua magnitude e importância na história da arte e como documento histórico também. Para fazer isso com crianças de 3-4 anos só um artista de peso. Então fomos nós!!!

Foto de Alvaro Villela

Iniciamos com algumas fotos selecionadas do fotógrafo que retratavam pessoas em lugares, porque acreditamos que, numa relação dialética, pessoas fazem lugares e lugares fazem pessoas. Assim as crianças puderam apreciar a forma que o artista retratava sua cidade e como fica claro a identidade soteropolitana em cada clic. Conversamos muito sobre as fotos, passeamos pelo mapa para ver o quão longe do Rio a cidade de Salvador fica e quantas semelhanças têm nessas duas cidades maravilhosas.



Após explorarmos o artista fomos conhecer o instrumento de trabalho dele: a máquina fotográfica. Levamos um pouco da história dos registros fotográficos e apresentamos para as crianças uma forma de fotografar diferente da de hoje. Eles viram negativos de fotos, máquinas manuais e até máquina fotográfica de lata de leite em pó. Foi um dia de muita curiosidade, um dia intenso para as crianças pesquisadoras. Para dar suporte usamos um livro infantil que falava de outro fotógrafo, o Debret e diversos livros de fotografia. Foi uma experiência singular para as crianças, elas amaram.


 


Depois de conhecerem as diferentes máquinas fotográficas convidamos as crianças para fotografarem. Elas primeiro fotografaram na sala de aula. Fomos sorteando quem fotografava quem, assim as crianças se familiarizavam com a escrita do seu nome. Então fizemos retratos uns dos outros, inspirados nos belíssimos retratos que Alvaro Villela fez. Fotografar retrato e em sala de aula foi a primeira etapa para as crianças fotógrafas. Nesse primeiro momento orientamos como enquadrar, ter firmeza nas mãos e qual botão apertar. Finalizando essa sessão fotográfica as crianças ficaram seguras para a segunda etapa.





 

Na segunda etapa fomos para a rua. Como o espaço escolar fica próximo da casa de todas as crianças foi uma delícia. Passeando eles apresentavam o bairro e mostravam o que achavam belo. O engraçado é que o que era rotineiro e não mais observável se tornou notável. Nessa saída as crianças fotografavam o que achavam interessante. Realizando registros do que gostavam e o que retratava o espaço que moravam.







Com os registros das crianças fizemos uma exposição fotográfica. Além das fotos e das observações do espaço mergulhamos um pouco na história das crianças. Vimos quem era vizinho de quem, quais eram as ruas no entorno da creche, quais pais e mães nasceram no lugar, quais caminhos faziam para ir à creche. Depois de muita observação fizemos uma maquete do principal acesso até a creche. Para construção da maquete trabalhamos muito a psicomotricidade e formas geométricas. Amassamos papel, pintamos e construímos casas. Outra coisa que fizemos foi apresentar fotos antigas do lugar, assim todas as crianças puderam perceber as modificações sofridas ao longo do tempo no espaço. Sensibilizando-as que além de arte, fotografia também é fonte histórica e identidade.