16 de outubro de 2016

45 dias de livros infantis afro-brasileiros


No dia 07 de outubro iniciei, no Instagram, uma ação que divulgará literatura infantil afro até o dia 19 de novembro, véspera do dia da Consciência Negra. Dei nome à ação de 45 dias de livros infantis afro e estou organizando todas as postagens no #livroinfantilafro e #encontrosconfabulantes para facilitar o acesso e pesquisa de quem desejar, mas dá para acompanhar no perfil também.

Porque o Instagram? Simplesmente porque acho uma ferramenta super prática de trabalhar, segundo que já utilizo o Instagram para compartilhar práticas pedagógicas, algumas peripécias que faço com minha pequena e dica de livros infantis. Comecei a fazer uso da ferramenta faz pouco tempo e tenho gostado muito das interações que são feitas ali. 

Por que a ação 45 dias de livros infantis afro? Primeiro porque sou uma militante nos espaços educativos no intuito da aplicação da lei 10.639, que determina o ensino da cultura e história africana e afro-brasileira na educação básica. Quem me conhece sabe que minhas práticas com as crianças e meus diálogos com os educadores que me cercam há um debate intenso sobre a necessidade de fazer valer a legislação. Outra coisa que me motivou foi o fato de estar de licença no meu trabalho desde abril... ou seja longe das salas de aula. Então vi uma boa oportunidade de não ficar tão distante da sala de aula (já morrendo de saudades) e principalmente pelo fato de poder compartilhar saberes.

Outra questão que tenho que colocar aqui é que não sou fã do trabalho pautado em datas comemorativas por zilhões de motivos que futuramente prometo uma postagem sobre o assunto. Apesar de não ser adepta em trabalhar datas comemorativas sei que existem algumas datas que NÃO têm apelo comercial ou afetivo e que devem ter atenção especial na Educação Infantil como a semana da educação infantil e do brincar, também acho de extrema importância o dia 20 de novembro. Não que tenhamos que trabalhar a data com as crianças, mas para que os educadores debatam e reflitam a importância de trabalhar história e cultura africana e afro-brasileira nas escolas. Pensar na atuação cotidiana e não na ação só em novembro e, principalmente, refletir o dia a dia, como a representatividade no espaço físico escolar com bonecas, murais e literaturas. Isso tudo é essencial! Nesses 45 dias vou compartilhar alguns livros que possuo e que já utilizei em sala de aula. Entre um livro e outro pode ser que compartilhe algumas práticas (não tenho imagem de tudo). Quem quiser conhecer um pouco mais dos livros e da campanha corre no Instagram e no final de tudo vou colocar todos os livros aqui também! 
Ubuntu!

14 de outubro de 2016

CONTRASTE PRETO E BRANCO, pintando com o berçário.

Uma atividade simples, mas bem interessante para ser realizada com crianças da educação infantil. Fizemos com o berçário, mas é possível aplicar em turmas maiores, basta adaptar os objetivos. Nessa atividade o principal objetivo foi estimular a percepção visual. 



As crianças que participaram tinham menos de dois anos de idade e foram convidadas a pintarem livremente com diferentes pincéis, mas apresentei para elas duas únicas cores e duas únicas bases de pintura. Foram ofertadas as cores pretas e brancas e cartolinas nas mesmas cores pregadas nas paredes. Quis trabalhar contraste de cores e que as crianças descobrissem que cor faria contraste com que cor. Então sem aquelas orientações diretas do faz isso ou aquilo e com os materiais disponível as crianças foram pintando, interagindo com as cores neutras e fazendo descobrertas.


Foi mágico acompanhar a pintura e ouvir questões levantadas por crianças tão pequenas. Algumas perguntavam “Cadê?” quando pintava com tinta preta na base preta ou o branco no branco... e mais delicioso foi ouvir o “Achei!” quando descobriam que cor aprecia em que fundo. 


Como tudo é festa e brincadeira, pois assim há aprendizado no berçário, as crianças se pintaram, pintaram outras crianças, pintaram as educadoras tudo no mesmo momento que conversávamos e trocávamos experiências e impressões sobre a atividade.


6 de outubro de 2016

DO MULUNGU AO MAMULENGO, O FLORESCER DA CAATINGA

A atividade que irei descrever hoje foi feita com muito prazer e uma pitada de influência de uma amiga linda que teve o Mamulengo como seu objeto de pesquisa no mestrado. Gratidão Débora! Assim, com muita pesquisa e colaborações de amigos (como Thiago Pires, o melhor professor de música para crianças que já conheci), surgiu nosso projeto que despertou grande interesse nas crianças. Fomos investigar o Mamulengo e o Mulungu. Você deve estar se perguntando o que um tem com o outro, mas não fique apreensivo porque essas foram as questões que as crianças investigaram e se apropriaram ao longo da nossa pesquisa.



O Mulungu é uma belíssima árvore que chega a medir até 12 metros de altura e a madeira de seu tronco é macia e fácil de se esculpir, daí a facilidade para fazer bonecos de madeira. Outra característica que chamou atenção das crianças é o fato de que, ao florescer, o mulungu fica todo laranja, pois suas folhas verdes caem todas. Um espetáculo que não passou despercebido pelo olhar dos pequenos.


O Mamulengo é um boneco articulável feito de madeira, fantoche, que ganha a vida vestindo as mãos dos mamulengueiros. O nome Mamulengo não se sabe ao certo de onde surgiu, mas algumas pesquisas apontam que é de “mão molenga”, definição abraçada pelas crianças. Seu berço é Pernambuco, estado em que encontramos grandes mamulengueiros como o Mestre Zé Lopes que nossa turma conheceu. As imagens abaixo ilustram um passeio ao museu Casa do Pontal após o realização do projeto.


Começamos apresentando o teatro de Mamulengo para as crianças, assistindo vídeos e conhecendo um pouco da história dos bonecos através de imagens. Observamos e vimos como eram feitos, como se brinca e uma das hipóteses de surgimento do nome Mamulengo que é mão molenga. Amolecemos nossas mãos e brincamos com um boneco que levei. A brincadeira proposta era o boneco passar pelas mãos de todas as crianças. Eu sorteava um nome, a criança reconhecia a escrita do seu nome e após cantava a música que desejasse para o coletivo com o boneco, que era um sapo, nas mãos. Além de fazer a "chamadinha" e familiarizar as crianças com a escrita do nome ainda pude mapear as músicas que estavam povoando a memória das crianças. 


 

Dando sequência a atividade fomos conhecer o tão famoso Mulungu e nos impressionamos com tamanha beleza. Através de imagens pude apresentar as flores, as folhas, o troco e o ambiente que essa belíssima árvore se desenvolve. Além das imagens foi usado um livro muito legal que nos acompanhou durante todo o projeto:  Árvores do Brasil. Chamou nossa atenção o tamanho da árvore e a curiosidade de nos medir. Vimos que a árvore era tão grande que era do tamanho de 12 crianças da nossa turma, um em cima da outra. Outra atividade que fizemos foi pintar o Mulungu, a partir das observações das imagens as crianças foram convidadas a pintar usando pincel e os dedos.



Outro livro que nos acompanhou foi Noite do Sertão que tem ilustrações belíssimas. A leitura desse livro foi compartilhada com as crianças primeiramente porque é uma obra de arte e segundo porque a caatinga é um ecossistema do sertão nordestino e a casa do Mulungu. Então resolvi brindar as crianças com as belas ilustrações do livro e com cores quentes, porque o sertão é quente, fizemos o fundo do nosso mural para expor o Mulungu produzido pelas crianças. Para que o fundo tivesse textura propus às crianças que pintassem com material não estruturado: um garfo! 

 


E como nosso projeto falou da árvore que faz o Mamulengo nada mais justo do que fazer nosso próprio boneco. Para tal atividade contamos com a ajuda de um pai que cortou várias madeiras que foi arrecadada numa feira. Assim, com os retalho de madeira e muita criatividade, fizemos nossos mamulengos. Antes observamos as diferentes madeiras que existem através de um mostruário e revimos alguns poemas do livro Árvore do Brasil.



 


Para findar construímos nosso enorme Mulungu, não tão grande como um de verdade, mas suficientemente grande para caber nossos mamulengos. Ainda porque fizemos mais que Mulungus e Mamulengos, fizemos um Pé de Mamulengo! Mergulhamos nessa linda cultura e trouxemos um pouquinho para perto da gente. Foi lindo de viver!



Sobre os dois livros que foram utilizados durante o projeto:




Livro: Árvores do Brasil
Escritor: Lalau
Ilustradora: Laurabeatriz
Editora: Peirópolis



Livro: Noite do Sertão
Escritora e Ilustradora: Cynthia Cruttenden
Editora: Cosac Naify







3 de outubro de 2016

Cecília Meireles - Os pescadores e as suas filhas


Livro: Os pescadores e as suas filhas
Escritora: Cecília Meireles
Ilustradora: Cris Eich
Editora: Global

“Os pescadores e as suas filhas” é um poema de Cecília Meireles que foi publicado pela primeira vez no livro “Ou isto ou aquilo” no ano de 1964 junto com outros poemas feitos para o público infantil. O poema criou vida própria e virou livro! Talvez seja pelo ritmo e melodia da poesia que faz com que deixe sua marca entre os mais de cinquentas poemas que foram publicados no livro original.



Sim, o livro “Os pescadores e as suas filhas” tem uma cadência singular que com as ilustrações de Cris Eich só se consolidaram. É magnífico ver as aquarelas da artista plástica tomando forma. As expressões dos rostos das filhas e o balanço do mar nos remete a toda esfera afetiva que o poema fala. A cada página a ilustradora brinca com seus desenhos que fazem a gente ter vontade de dançar, cantar, brincar... Cris deu ao poema mais vida do que ele já tinha.



O livro também é ideal para crianças que estão começando a ler, pois é todo em caixa alta e com poucas frases em cada página. Além de ser uma ótima oportunidade para apresentar a poeta para as crianças (sim, poeta e não poetisa, porque foi assim que Cecília Meireles se designou) e mostrar como se pinta com aquarela, já que foi a técnica utilizada pela ilustradora. Uma coisa que sempre faço ao apresentar o livro, inspiradas na disposição das frases que lembram o balanço do mar, é inserir duas músicas no meio da contação de história. Ontem mesmo, quando lia o livro para minha filha cantarolei A Canoa Virou e Suíte de Pescador de Dorival Caymmi. Acredito nas diversas formas de contar/cantar história desde que toque a alma de quem escuta e de quem lê.
Boa história!


23 de setembro de 2016

ALICE de Lenice Gomes e Nina Anderson

Livro: Alice 
Escritora: Lenice Gomes
Ilustradora: Nina Anderson

O livro apresenta uma menina chamada Alice, que não é Alice do país das maravilhas, mas é uma Alice que faz maravilhas. Igualzinho a todas as Alices que você conhece, ou melhor dizendo a todas as crianças que nós conhecemos... a Alice do livro é um pouquinho de todas as crianças desse mundão: esperta, brincalhona, criativa, alegre e um pouco atrapalhada. Alice é criança que brinca e anda de bicicleta para lá e para cá com toda a liberdade que o vento no rosto oferece. 


Na história, essa menina alegre foi designada a levar um recado da sua irmã Berenice para sua prima Priscila, mas no meio do caminho muitos encontros aconteceram e assim “Alice foi indo, indo, indo” e “Berenice ficou rindo, rindo, rindo” só porque o recado se perdeu no meio de tanta liberdade.


Alice e um livro envolvente, primeiramente porque Nina Anderson coloca cor e vida nele.  As cores combinadas de uma forma que meros mortais como eu não ousariam combinar dá um toque de psicodelia ao livro. Imagine só uma bicicleta de rodas multicores e um gato com cada pata de uma cor! Muita vida a cada imagem. O livro poderia não ter uma linha escrita que as imagens já falam por ele. Só de ver a ilustração já imaginamos a Alice do jeitinho que Lenice Gomes criou. Que por sinal criou de forma primorosa, a escritora faz com que todas personagens brinquem com as palavras que até desperta vontade de findar o livro e brincar. Brincar de lenga-lenga, de trava-língua, parlendas e jogo da rima... O livro é um convite à infância! A nossa em rememorarmos e dxs pequenxs leitores em conhecerem!



Um livro para ser lido e vivido! Viva o livro!

14 de setembro de 2016

MÚSICA, um livro para falar de música.

Livro: Música
Escritora: Núria Roca
Ilustradora: Rosa M. Curto

Raramente encontro literaturas para trabalhar música com as crianças. Tem até livros que trazem a história de uma determinada música, outros que falam de um ritmo ou de algum instrumento musical, mas livros infantis falando sobre o que é música sempre tive dificuldades para encontrar. Por isso, quando avistei esse na mão do meu cunhado que é músico e professor de música não hesitei em compartilhar com vocês. O livro Música foi distribuído para escolas públicas através do programa do governo Federal PNLD/FNDE, portanto pode ser que sua escola tenha no acervo ou uma escola pública próxima de você.
O livro é bem didático e acaba sendo interessante por alguns motivos como ser escrito em caixa alta, o que é excelente para crianças que estão se alfabetizando.


Outro aspecto que me chamou atenção é que o livro é dividido em capítulos temáticos o que facilita a compreensão sobre o universo da música, tanto pelas crianças quanto para um adulto que não domine a temática. Pensando na minha área de atuação, educação infantil, na qual temos que dar aula de tudo, inclusive trazer o universo da música para os espaços educativos, o livro abre um leque de possibilidades para trabalhar música para além das rodinhas e apresentação de instrumento musical.


Na prosposta de apresentar o universo da música para todas as pessoas, o livro escrito por Núria Roca e ilustrado pela Rosa Maria Curto, vai apresentando o que é som, ruído, a importância de ouvir e o silêncio. Tudo bem explicadinho e sempre dialogando com quem está lendo. Esse é outro ponto positivo do livro que a todo momento convida a pessoa que está lendo a experimentar sensações que envolvam ritmo, som e pausa. Em uma página a criança leitora é chamada para inventar um ritmo com seu próprio corpo.


Falando em corpo a autora lança convite para as crianças dançarem - amo colocar as crianças para mexerem o corpo. “A dança e a música são irmãs gêmeas”, afirma a escritora reconhecendo a dança como uma forma de expressar a música, bem como reconhece a nossa voz como um instrumento musical. O livro é todo assim, com muitas informações necessárias para compreendermos esse universo da música. Bom para professorxs de músicas que buscam recursos e nem sempre encontram e excelente para nós, professorxs de educação infantil, ampliarmos nossas possibilidades de ações para aproximar as crianças da linguagem musical.